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Test-drive Pulse T200 Hybrid: entenda melhor o mecanismo elétrico desse Fiat

Utilitário esportivo compacto traz interessante inovação mecânica, mas será que isso serve para alguma coisa?

De uma maneira bem resumida, entende-se que um veículo híbrido seja aquele que tenha duas – ou mais – fontes de propulsão entre possibilidades elétricas e a combustão (gasolina, óleo diesel, etanol, etc.). E, dentro das complexas ´normas técnicas´ que existem no Brasil, para ele ser, de fato, considerado um veículo híbrido, tem que utilizar no mínimo 2% da sua energia elétrica para ajudar o motor a combustão a tracionar as rodas dentro de um determinado ciclo. Enfim, o novo Fiat Pulse T200 Hybrid oferece um conjunto misto desse tipo.

E quais são as vantagens? >> Economia de combustível e menor grau de emissões de gases poluentes são os dois pontos mais importantes em questão ao se adotar um ´trem de força´ híbrido num determinado automóvel. E os engenheiros da Fiat foram bastante criativos no Pulse T200 Hybrid e no Fastback T200 Hybrid, outro carro da marca italiana que também oferece a mesma solução.

Eles eliminaram o alternador e, no lugar dele, acoplaram ao virabrequim (via acionamento por correia) um motor elétrico de 4 cv de força e 1 kgf.m de torque. Essa unidade elétrica extinguiu, também, o antiquíssimo motor de arranque, aquela famosa e pesada peça eletromecânica dotada de cremalheira.

O ganho com essa manobra inteligente de engenharia mecânica resultou num funcionamento mais suave do motor na hora dele ser ligado. Falando nisso, se você se incomoda com a intermitência do sistema ´start-stop´ (que liga e desliga o motor a combustão constantemente para gerar economia de combustível e diminuir as emissões), nesses dois modelos da Fiat ele não pode ser desativado.

Oponentes >> O novo Pulse T200 Hybrid foi lançado em 2024. Na concorrência direta, vejo o Volkswagen T-Cross e o Renault Kardian como os dois rivais mais aguerridos para o SUV compacto da Fiat, que é o único equipado com esse sistema híbrido.

Detalhes gerais >> Acho o Fiat Pulse agradável no design e estilo. Tem carroceria com volumes bem distribuídos, frente imponente com faróis em LED e ergonomia bem estudada, que sempre foi uma das características marcantes desse fabricante europeu. Ele é homologado para cinco ocupantes, mas somente oferece folga e conforto para quatro adultos. O habitáculo é bem compacto e os ombros das pessoas (tanto na parte da frente, quanto na de trás) sempre estão bem próximos. A altura do teto no caimento da ´coluna C´, apesar de ser limitada, não oferece desconforto aos ocupantes.

Como anda? >> O Pulse T200 Hybrid vem com motor tricilíndrico. Trata-se da unidade 1.0 GSE T3 Turbo com 12 válvulas. Em seu esforço máximo ele entrega entre 125 e 130 hp de força total e torque de 20,4 kgf.m. O funcionamento é relativamente suave. Vale lembrar que todos os motores de 3 cilindros ofertados no mercado brasileiro são um tanto ásperos, sempre com um certo desbalanceamento evidente. Mas isso não incomoda tanto. No uso na cidade ele é bem agradável, responde com vigor e é relativamente econômico: 9,3 km/litro (de gasolina com 30% de etanol) foi a marca que consegui.

Considerações finais >> Esse SUV é um precursor da eletrificação dos carros da Fiat para o mercado brasileiro. Posiciona-se na média, sendo ofertado por cerca de R$ 147.000 (nessa versão testada, a ´Impetus´) que é um preço mais ou menos equiparado aos já citados concorrentes. A direção elétrica é bem leve e isso agrada no dia a dia, assim como o funcionamento do câmbio automático CVT (com 7 marchas simuladas) é suave e preciso. O painel de instrumentos é bem completo e a tela multimídia tem acesso fácil e congrega mais possibilidades do que um consumidor comum (pouco apaixonado por carros…) vá conseguir utilizar.

Máquina de arquitetura eletrônica avançada, o Pulse híbrido vem com duas baterias que funcionam em paralelo: uma normal (de ácido-chumbo e 68 amperes) no compartimento do motor e outra (de íons de lítio) localizada embaixo do banco do motorista. A configuração que avaliei veio com teto panorâmico fixo com persiana elétrica, revestimento todo em plástico preto, assim como os bancos com couro sintético também escuro, uma receita até charmosa, mas bem inadequada para climas quentes como o do nordeste do Brasil, por exemplo. Carro interessante, vale a pena ser considerado na hora da escolha de compra de um SUV compacto. (Fotos: Agência FBA / Instagram: @acelerandoporai.com.br)