O “Bóson de Higgs” é uma partícula que alguns chamam de ‘partícula de Deus’ – talvez por não ser compreendida e ao mesmo tempo ser considerada fundamental à criação da vida. Tudo a nosso redor é feito de átomos, dentro dos quais estão elétrons, prótons e nêutrons que, por sua vez, são feitos de quarks e outras partículas. Os cientistas há muito pensam em como esses mínimos blocos de construção do universo adquirem massa, sem a qual as partículas não se juntariam – e então não haveria matéria. Com um mistério desses pela frente, cientistas do mundo todo quebram a cabeça pesquisando uma resposta. Os físicos europeus Peter Higgs e François Englert, trabalhando no maior colisor atômico do mundo, o CERN, da Organização Européia para a Pesquisa Nuclear em Genebra, anunciaram ter finalmente detectado a esquiva partícula subatômica.
Explicações >> Higgs e Englert propuseram, separadamente, a idéia de que uma nova partícula deve estar criando partículas ‘grudentas’ – campos de energia que agem como freio em outras partículas. Na realidade, experimentos de colisão no CERN confirmaram sua existência em forma semelhante, mas não exatamente igual, à proposta. A partícula de Higgs é parte de muitas equações teóricas que apoiam a compreensão dos cientistas quanto à maneira como o mundo apareceu. Se essa partícula não existisse, todas as teorias teriam de ser fundamentalmente refeitas. O fato de que ela existe dá mais peso ao “Modelo Padrão” da chamada “Física de Partículas”, a qual explica quanto o universo funciona a nível subatômico. Os cientistas dizem que ainda há muito trabalho a ser feito, especialmente porque inicialmente se pensava que elas não tinham massa, mas hoje confirmam que tem. Os pesquisadores também tentam entender a chamada Matéria Escura, quatro quintos da matéria existente no universo e que não pode ser vista.
Centro da pesquisa >> “CERN”, o grande colisor atômico, é um túnel subterrâneo de 27 quilômetros de comprimento abaixo da fronteira franco-suíça, que custou US$ 10 bilhões para ser construído e usado. Essa fábula de custo inclui os salários de milhares de cientistas e grupos de apoio ao redor do mundo que colaboraram nos dois experimentos atrás da partícula de Higgs. Os pesquisadores no CERN já ajudaram a World Wide Web (www), a rede do tamanho do mundo, a armazenar e permutar ideias pela internet. A imensa potência de computação necessária para ‘mastigar’ os dados produzidos, o desenvolvimento da computação ‘de nuvem’, os avanços na captura da energia solar, da geração de imagens médicas e a terapia protônica para a luta contra o câncer, todos resultaram do trabalho de partículas físicas no CERN e também em outros locais. (Os artigos assinados por colaboradores são de inteira responsabilidade dos seus autores. A editoria geral desse veículo, necessariamente, não concorda com as opiniões aqui expressas. / Zé Luiz Viera, By TechTalk / Fotos: divulgação)








