Up! (do inglês, ´Pra cima´, grafado assim mesmo com o acento de exclamação) é o novo lançamento da Volkswagen para o Brasil. Por aqui, já apresentado como ano/modelo 2015, configura-se como o novato na família de compactos que a multinacional alemã revende em suas concessionárias.
Curiosamente, o (já famoso) projeto global tem origens em solo nacional, pois nasceu da pena de Marco Antônio Pavone, um designer brasileiro e, em relação ao ´Up! europeu´, as diferenças são mínimas, como o comprimento do veículo (um pouco maior por aqui), o sistema de abertura dos vidros nas janelas traseiras e também a tampa do porta-malas, que lá fora é composta por uma grande área envidraçada, ao contrário do daqui, que mantém uma receita estética mais clássica, com ambiente metálico em maior evidência.
Cerne da questão >> O ponto mais focado pelos executivos da VW durante a apresentação técnica do carro, foi o aspecto da segurança. Segundo o time que participou do desenvolvimento do projeto, após os testes feitos pelo Latin NCAP (organização que avalia a segurança dos veículos), o Up! configura-se como o primeiro automóvel compacto no país a obter 5 estrelas na proteção de adultos e 4 para as crianças em caso de colisões frontais, resultado expressivo, pois é o nível máximo na escala da instituição.
Bom ressaltar: evidentemente, o pequeno VW foi projetado para atender aos requisitos exigidos pelas leis que regem países muito mais sérios que o nosso, como por exemplo, Estados Unidos e vários locais da Europa aonde o Up! é comercializado. Se foi aprovado por lá (e como praticamente todas as características físicas foram mantidas…), está dentro do padrão. Palmas para os engenheiros.
Segmento competitivo >> A partir de agora o Up! é mais um integrante de uma das fatias mais relevantes do mercado nacional: a de carros compactos. Nesse meio encontram-se, por exemplo, o Citroën C3, Chevrolet Ônix, Toyota Etios, Hyundai HB20, Peugeot 208 e, também, o VW Fox e o próprio Gol (ícone da Volks aqui no Brasil), sem esquecer do aguerrido Uno, cavalo de batalha da Fiat que, há décadas, é o grande oponente do Gol, enfim, provavelmente, a vida do Up! será como a de todo brasileiro trabalhador, com up´s e baixos, dificuldades a vencer, simpatias a conquistar.
O projeto >> O novo compacto da VW é bem interessante na avaliação plástica. A começar, possui desenho moderno e alegre com um aspecto frontal diferenciado, já que elimina a tradicional grade para dar lugar a um subliminar ´sorriso´ de boas vindas a quem o encara nesse ângulo. A lateral se caracteriza por uma linha alongada que até sugere um tamanho maior do que, na realidade, ele possui.
Com preços sugeridos que vão de R$ 26.900 (versão de entrada “Take Up!”) até R$ 39.390 (topo da escala), provavelmente ele será voltado para as pessoas que irão adquirir o seu primeiro automóvel, incluindo, os jovens consumidores. O espaço interno da frente é ótimo e o de trás é comum, nivelado com a média. Bom para quatro adultos e, no máximo, com mais uma criança como quinto passageiro.
Impressões >> As duas coisas que mais me agradaram no Up! foram o romântico barulhinho do motor de três cilindros e a excepcional posição de dirigir, que é parecidíssima com a do VW Fox da primeira geração. Ele possui ajuste de altura da coluna de direção, mas não oferece o de profundidade, que é compensado pela possibilidade de movimentação de altura do banco do passageiro. Esse ponto é irretocável, com medida exata, boa visibilidade em todos os ângulos e ergonomia que não cansa.
O que me desagradou foi a ausência dos dutos centrais do sistema de ar-condicionado. Eles existem, mas não de maneira tradicional e sim por uma grelha no alto do painel. Não gostei, pois prefiro o sopro mais direto, mas reconheço que o aparelho é eficaz. Prova dos 9, só no calor de Maceió.
Motor >> A unidade que move os 910 kg do Up! é moderna e deverá cumprir o papel fazendo o veículo se estabelecer como o compacto nacional mais econômico da atualidade. O propulsor 1.0 flex de 3 cilindros tem potência variável (mínima) de 75 cv e (máxima) de 82 hp (quando abastecido somente com etanol), ambas obtidas aos 6.250 rpm. O torque vai de 9,7 kgf.m, atingindo o pico de 10,4 kgf.m.
Com pouca vibração e boa entrega de força, o compacto anda bem, evidenciando mais fôlego nas retomadas quando solicitado em marchas mais curtas. É aí que entra a diversão para quem é saudosista e gosta de carros com alma! O motor do Up! ´conversa´ com o condutor e, como dito, doa um barulhinho mágico que se vale de voz dessa máquina dócil e divertida. Gostei muito disso.
Frigir dos ovos >> O novo Volkswagen sairá em seis versões que você confere numa graduação ascendente de luxo e preço: Take Up! (R$ 26.900 – 2 portas e R$ 28.900 – 4 portas); Move Up! (R$ 28.300 – 2 portas e R$ 30.300 – 4 portas); High Up! (R$ 34.990 – somente 4 portas) e Black Up!, Red Up! e White Up! (R$ 39.390 – somente 4 portas).
Ele deverá aposentar o Gol Geração 4 e, mesmo sendo o carro de entrada da VW, tem bom pacote de opcionais que incluem decoração interna na cor do carro, bancos em couro, sistema multimídia com GPS, 10 cores de carrocerias (e 46 combinações dessas cores com os acabamentos), rodas de aço (aro 13″) e liga leve de 14 e 15 polegadas, etc… Desde a primeira versão, já traz sistema de freios ABS com EBD, air bag duplo, limpador, lavador e desembaçador do vigia traseiro.
Andei em duas versões: a mais simples e a mais luxuosa. Qual foi a que mais gostei? A mais espartana, sem dúvida. Com um painel muito simples e sem exageros de decoração, além de mais leve por não comportar tantos apetrechos extras, é exata para a mobilidade urbana, especialmente deliciosa quando emite aquele ´ronquinho´ tricilíndrico. Com todo respeito ao cabedal de tecnologia embarcado nesse carro pela VW, pra mim, ele é o “DKW*” do futuro: eficaz, simples e sedutor. (*DKW = carrinho alemão da antiga fábrica Auto Union, aqui no Brasil “Vemag”, fundada em 1916 pelo engenheiro dinamarquês Jorgen Skafte Rasmussen, e que tinha 3 cilindros, 3 bobinas e um barulho espetacular).



















