buru-rodas

Admirável mundo automotivo novo! (Maiores novidades dessa semana)

Excetuando-se a indústria de medicamentos com suas importantes pesquisas científicas e as discussões filosóficas do genial Mário Sérgio Cortella, a terceira atividade mais agitada do mundo parece ser a do setor automotivo. Como tenho dito aqui no site nos últimos anos (e também no Instagram @acelerandoporai), existem alguns desafios enormes que a indústria dos automóveis terá de superar, dentre eles, abaixar ainda mais os níveis de emissões de gases poluentes dos motores, aumentar a autonomia dos carros elétricos com baterias mais eficazes e também tentar “seduzir” novos consumidores a comprar carros, pois um grande número de pessoas já não coloca isso como prioridade. Existe, também como ´urgência-urgentíssima´ entre os fabricantes de carros, a necessidade de manter-se atualizado em tecnologia, pois, simplesmente, o mercado consumidor é igual à torcida de futebol: ingrato por natureza. Portanto, se não houver novidades constantes, uma empresa simplesmente fica para trás e começa a desaparecer na poeira da obsolescência. A finlandesa Nokia, por exemplo, nasceu no século 19 fabricando papel e no século 20 chegou a liderar globalmente as vendas de aparelhos celulares. Por fim, teve o seu negócio de telefonia móvel vendido à Microsoft. Continua ativa, e agora tenta voltar ao mercado hoje liderado pela Samsung e Apple, ambas gigantes bilionárias e que, por sua vez, começam a sofrer concorrência acirrada de uma (ainda pouco conhecida) marca chinesa Xiaomi, que por sinal, faz ótimos celulares. É o engenho corporativo girando em altíssimas rotações!

Uma das declarações mais enfáticas do setor automotivo esta semana, partiu do executivo Herbert Diess, atual CEO da Volkswagen e do Grupo VW. Em entrevista à Reuters (conhecida agência de notícias), Diess proclamou com todas as letras que “a época dos fabricantes automotivos tradicionais está terminada”. É claro e evidente que ele não quis dizer que a VW ou qualquer outra grande marca de prestígio vai fechar as portas amanhã, mas sim, que – ou as empresas tradicionais se adaptam aos desejos quase incompreensíveis de um mundo urgente ou morrerão! Isso é fato. Herbert Diess também disse que os investimentos em carros com células de hidrogênio diminuirão dentro do Grupo VW, por duas razões: a primeira é que ele próprio não acredita muito na eficácia desse tipo de solução de propulsão em relação à utilizada nos carros 100% elétricos, que estão mais em alta nesse instante, e a outra é uma constatação lógica, que mostra a necessidade urgente de se baixar custos dentro dessa empresa alemã, inclusive priorizando vendas menores, mas que tragam algum tipo de lucro, por mínimo que seja.

Ainda dentro dessa perspectiva, é bom lembrar que recentemente a Tesla (marca norte-americana de carros elétricos, hoje tidos como os melhores e mais modernos do mundo) foi declarada mais valiosa que Ford e Chevrolet juntas! A coisa é simples: a percepção do público é que a Tesla hoje representa a modernidade, enquanto essas duas marcas citadas, na óptica dos consumidores jovens, são empresas ultrapassadas. Evidentemente, não é bem assim, já que Ford e GM também têm produtos inéditos, modernos e elétricos, mas a voz do povo parece perceber o mercado de uma maneira mais sensível do que a minha e a sua individualmente.

Além de eletrificar os seus portfólios, a indústria automotiva agora tenta com todas as forças conectar os seus veículos com maior perfeição e torná-los autônomos e menos poluentes. Tudo isso ampliando a segurança, buscando maior economia de combustível e tentando manter baixos custos de produção. Uma equação que, definitivamente, não é fácil. Ao mesmo tempo, procura criar formas de ganhar dinheiro alugando os próprios carros que fabrica, ou ainda incentiva o compartilhamento de automóveis que, pagos por horas (ou minutos!) de uso, não são de ninguém especificamente e são de todos ao mesmo tempo. A guerra é grande e complexa, e os consumidores estão no meio do fogo cruzado ainda sem entender direito o que irá acontecer daqui pra frente.

Mais duas ramificações do setor também estão se readaptando: a de auto-peças e a de seguros. A primeira sofre com o fato de os carros novos quebrarem cada vez menos e as garantias de fábrica se estenderem cada vez mais. E a segunda corre para baixar os seus lucros, fazendo disso uma condição primordial para não perder a renovação das apólices dos antigos clientes. Também passam a ofertar inéditos produtos, como os seguros que cobrem somente o “bem” em determinados momentos de uso durante o dia. Paralelamente a tudo isso, os transportes públicos (evidentemente coletivos) seguem melhorando, e os microveículos (patinetes, skates, bikes e monociclos elétricos) também começam a ganhar muitos adeptos, principalmente nos grandes centros urbanos. Não dá pra deixar de fora desse contexto a chegada iminente dos drones gigantes para um, dois, quatro ou mais passageiros. Essas máquinas elétricas e autônomas, muito mais silenciosas e com custos de manutenção infinitamente mais baixos, deverão tornar-se um pesadelo no ramo dos helicópteros.   

Resumindo e citando especificamente algumas novidades, esta semana nós vimos a Porsche celebrar o aumento nas suas vendas (com ênfase cada vez maior nos SUVs), também assistimos a Audi declarar que não vai participar do Salão de New York 2020 por medida de contenção de custos, a BMW divulgou a chegada de um novo motor de 4 cilindros biturbo, a VW caminhões também comemora vendas em alta, os Fiats Panda e 500 ganharam versões híbridas e o McDonald’s firmou parceria tecnológica com a FCA (Fiat Chrysler Automobiles). Dá para perceber claramente que o modelo de negócios de fabricação e vendas de carros já mudou significativamente, e a marca que não se ligar nisso, provavelmente será extinta ou vendida aos ricos chineses… (Fotos: Google free royalties / Credit: Photo by Columbia Tri-Star REX Shutterstock – The Fifth Element (1997)  / Instagram: @acelerandoporai)