buru-rodas

Carro a combustão está ´pagando o pato´ sozinho!

A perseguição aos motores a combustão instalados em automóveis, parece ter surgido de um complô formado por burocratas contra a indústria automotiva. E só contra ela! Sim, a tendência dos carros elétricos é crescente principalmente na Europa, mas, mesmo por lá, nos países mais ricos daquele continente, ainda há uma escassez incrível de postos de reabastecimento, daí, os clientes optam pelo tradicionalismo, comprando os veículos com motores a combustão (gasolina/óleo diesel/etanol). Outro ponto pouco comentado é a adaptação de um carregador veicular no domicílio de quem adquiriu um automóvel elétrico. Como isso funciona? A concessionária vende a central? Quem a instala? Será que o eletricista indicado pelo seu vizinho sabe do que se trata? Mais um adendo: a rede elétrica da sua cidade está preparada para suprir o reabastecimento para uma frota crescente de milhares de unidades? Os estacionamentos dos hotéis, hospitais, aeroportos e shoppings, estão preparados para atender a novidade?   

Desde o início dos anos ´1990 que acompanho de perto a indústria automotiva e suas minúcias. Há décadas que todos os fabricantes sérios tentam, ao máximo, eliminar níveis de emissões de gases tóxicos dos seus motores. Começaram a fazer isso por conta própria. Com leis vigiando esse problema da poluição excessiva, as metas estão cada vez mais apertadas e, consequentemente, uma das saídas para essas marcas é justamente a incorporação de veículos com propulsão híbrida ou 100% elétrica em seus portfólios. Até aqui, nada de novo, pois você, que curte o assunto, já sabe disso.

Uma coisa que me intriga é que os tais “especialistas” no assunto (principalmente os políticos e os “sábios” influenciadores de plantão do mundo digital) têm elevado o tom, tratando exclusivamente os carros (entenda essa palavra como veículos com exatamente quatro rodas) como os grandes vilões da natureza. Para quem não sabe… os navios, a maioria dos trens, os aviões, helicópteros, caminhões, motocicletas, tratores, carregadeiras, motosserras, geradores de energia e uma vasta quantidade de máquinas e motores estacionários, são movidos a combustíveis fósseis, e eles também poluem, e muito! Por curiosidade, acesse no YouTube vídeos que mostram, por exemplo, a fabricação de motores de navios. Você vai encontrar propulsores assustadoramente gigantescos. E eles poluem muito!

Preciso citar, também, as enormes frotas militares, os pequenos aviões pulverizadores de lavouras e mais alguns milhares de quadriciclos, jipes e bugres que, nesse exato momento, estão servindo de brinquedos em trilhas e passeios na praia, ou estão em fazendas arando a terra e soltando muitos gases pelos seus escapamentos. Percebeu o drama? A culpa não é somente dos carros que, proporcionalmente, poluem muito menos do que as espetaculares turbinas de aviões que depositam sua fúria bem mais perto da famosa ´camada de ozônio´, lá no céu. Você consegue visualizar isso agora? O problema é grande, muito maior do que se imagina e, cá entre nós, não há somente um segmento culpado!

Percebo que existe nesse momento, dois movimentos: um, excessivamente alarmista que prega o prejuízo que os motores a combustão podem causar ao meio ambiente – sem se saber ao certo o que realmente pode acontecer… –, e o outro, criado pelo mercado financeiro (com ênfase, especialmente, no universo da bolsa de valores) que está tomando um vulto inacreditável. Por exemplo, em valores (de ações), a Tesla (famosa marca norte-americana de carros elétricos) já vale mais que a Ford, General Motors e FCA/Fiat-Chrysler juntas! Essa mesma turma que deposita somente nos carros a combustão, a culpa máxima pelo ´fim do mundo iminente´, agora está dizendo que, em pouquíssimo tempo o valor de um veículo tradicional movido por algum combustível fóssil se aproximará de ´zero´ na sua revenda quando em estado usado.

Também sou a favor de um mundo mais verde, mas quando encontro diariamente centenas de motos com os seus escapamentos abertos (e portanto, sem os filtros originais de fábrica e poluindo inclusive sonoramente), vejo que muita água ainda vai rolar até que o mundo inteiro se convença de que a única solução para a diminuição da poluição global seja, simplesmente, a troca de um veículo tradicional por um elétrico. Vamos com calma, que o ´buraco é mais embaixo´ e há outros poluidores muito mais vorazes nesse cenário, e que estão – inexplicavelmente – esquecidos nas rodas de discussão sobre o importante tema. (Fotos: Google free royalties / Instagram: @acelerandoporai)