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Titano 2026: avanços técnicos surpreendentes melhoram a picape média da Fiat

Atualmente fabricada na Argentina, a Fiat Titano foi lançada no mercado brasileiro no início de 2024. Inicialmente, o projeto seria oferecer por aqui a Peugeot Landtrek, mas a Stellantis decidiu apostar no sucesso da Fiat no ramo de picapes e assim veio, definitivamente, a Titano, ou seja, uma Landtrek com a assinatura da marca italiana na grade…

O início >> A Titano – que no começo foi fabricada no Uruguai – chegou ao Brasil com várias limitações técnicas e pouca tecnologia embarcada. Seu motor a diesel tinha 2.200 cm³ com 180 cv de força e torque de 40 kgf.m. Era até um bom conjunto, só que havia vibração em excesso nessa unidade que era transmitida até os pedais de freio e acelerador.

Além disso, características como direção hidráulica, freios a tambor no eixo traseiro e suspensões (dianteira e traseira) muito desequilibradas, travaram a ascensão desse utilitário dentro do portfólio da Fiat. A solução seria uma mudança radical no projeto e a Stellantis fez isso de maneira primorosa.

O que mudou? >> A nova Titano (ano/modelo 2026) é um veículo completamente diferente do carro que por aqui chegou em março de 2024. As melhorias foram significativas: ela ganhou o mesmo motor da Toro (2.2 turbodiesel com 200 cv e torque de 45,9 kgf.m), câmbio automático de 8 marchas da marca alemã ZF, nova caixa de direção (+ direção elétrica), sistema recalibrado de freios com discos também no eixo traseiro e um pacote ADAS “de respeito”, com diversos assistentes eletrônicos de segurança para auxiliar o condutor, dentre eles o aviso de saída de faixa, piloto automático adaptativo e frenagem autônoma.

Uma picape para distraídos >> Se você se considera um motorista um tanto desatento ao volante e está pensando em comprar uma picape… sugiro que considere a Titano como uma opção. Ela oferece um vasto sistema de avisos visuais e sonoros (a maioria vinculado ao alerta de ´ponto cego´) que funciona como um guardião do motorista contra colisões, inclusive na hora de manobras de estacionamento ao entrar e sair de vagas. Várias câmeras exibem na tela multimídia as laterais, a traseira e até a parte frontal do veículo, incluindo as quinas dos para-lamas dianteiros. Isso facilita demais as manobras num carro de porte médio/grande com massa de 2.150 kg.

Comportamento >> Evidentemente, as performances de aceleração e estabilidade de uma picape não devem ser os parâmetros mais importantes a serem considerados no uso cotidiano. Não se trata de um carro esportivo e sim de um veículo de carga, que deve ser utilizado com maior prudência em qualquer situação.

Apesar disso, a Fiat Titano se apresenta muito bem: é estável em curvas, atinge rápido as velocidades mais altas e consegue sair da imobilidade aos 100 km/h em apenas 9,9 segundos! Um ótimo número para um veículo desse tamanho. Os freios são eficientes, mas, pessoalmente, prefiro a chamada “modulação de ataque”, com o pedal um pouco mais sensível ao pé. Na Titano, a sensação é de uma frenagem excessivamente “aveludada”.

Padrões de conforto e acabamento >> Com a reformulação total de suspensões, caixa de direção, comportamento de câmbio e motor, a Fiat Titano teve um salto incrível de qualidade. Ela agora não pula tanto feito um canguru e as saídas no trânsito são bem mais suaves que o modelo anterior.

Na versão de topo avaliada (Ranch), os bancos são recobertos em couro sintético e há ajustes elétricos para os assentos dianteiros. A ergonomia (como em todos os produtos da Fiat) é muito bem acertada. A Titano é confortável. Oferece coluna de direção ajustável, uma cômoda chave presencial (que tem, inclusive, uma opção para destravar apenas a porta do motorista), painel de instrumentos que mescla um ambiente central digital com periféricos (conta-giros e velocímetro) analógicos, tela multimídia bem responsiva e completa, ótimo apoio de braço e muitos porta-trecos, o que é fundamental num utilitário.

Considerações finais >> As mudanças da nova Fiat Titano “argentina” em relação aos primeiros lotes “Landtrek” que chegaram por aqui vindos do Uruguai, são, de fato, gritantes. É um outro veículo que, caso já tivesse nascido assim, teria um posicionamento de vendas muito mais interessante do que o atual.

Ela mede 5,3 m de comprimento, oferece 3,18 m de distância entre-eixos, tem capacidade de carga de 1.020 kg e no seu tanque cabem 80 litros de óleo diesel. Pisando leve, consegui uma média de 9,3 km/litro em ciclo urbano. Nada mal para uma relação de massa/potência de 10,75 kg/cv e uma aerodinâmica limitada pela frente de porte avantajado e outros detalhes característicos de uma carroceria de picape.

Como dito, o pacote ADAS e seus úteis desdobramentos, é o melhor do conjunto. Em termos mecânicos, ela mudou “da água para o vinho”, pois está mais rápida, (muito) mais equilibrada, com um nível de ruído do motor bem menor e com suspensões bem mais agradáveis que a anterior. Acima de 120 km/h as vedações (guarnições de borracha das portas) deixam a desejar. O barulho do ar externo querendo invadir a cabine é bastante perceptível. Merecia um isolamento acústico bem melhor, mas isso é coisa fácil de se resolver.

No geral… a Fiat Titano é um dos raros casos de conserto ´real´ de um veículo que nasceu com muitas limitações e ganhou uma reformulação muito bem feita. Tem tudo para dar a volta por cima. O produto melhorou. Agora a marca terá que ser competente em divulgar isso por intermédio das suas propagandas e ações de marketing. (Fotos: Agência FBA / Instagram: @acelerandoporai.com.br)