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Carros elétricos: dúvidas, preços, viabilidades…

Não é mais novidade que a maioria dos fabricantes automotivos, enfim, decidiu firmemente engajar-se na fabricação de novos carros elétricos. A demanda está crescendo junto com o interesse e saneamento de dúvidas dos possíveis inéditos clientes desse tipo de veículo. Isso é fato, no entanto, algumas questões básicas continuam: a primeira delas é a autonomia. Por mais que pesquisas indiquem que um motorista ocidental rode, em média (no máximo) 50 km/dia, esses dados podem se tornar inúteis numa situação que fuja à normalidade cotidiana, e ninguém quer ter o desprazer de ficar parado no meio da estrada por falta de carga na bateria.

Acima, um compacto VW e-UP!, que na Europa custa o equivalente a R$ 102 mil! Aqui, o esquema do conjunto elétrico do Seat Mii Electric (idêntico ao do e-Up!), vendido a R$ 85 mil na Espanha.

Carros de alto luxo, e consequentemente, de preço elevado, como os modelos elétricos da alemã Porsche ou da norte-americana Tesla, por exemplo, entregam largas autonomias, mas o valor de aquisição de um automóvel desses é muito alto.

Honda “e”: o primeiro carro 100% elétrico dessa marca nipônica custa o equivalente a R$ 160 mil, e sua autonomia declarada é de apenas 220 quilômetros.

Outro detalhe é a questão do recarregamento da bateria (ou do conjunto delas). Composta de íons de lítio, a bateria de um veículo elétrico precisa de muitas horas (geralmente entre 8 e 10) para sair do ´ponto crítico´ de sua carga mínima (entre 1 e 5%) para voltar aos 100% de potencial. Mesmo nos modelos mais modernos, o tempo de recarga é esse mesmo, e vale lembrar, que essa carga lenta é a mais correta e benéfica para a bateria.

Pontos de recarga praticamente não existem no Brasil.

A maioria dos fabricantes, evidentemente, também oferece opções de recarregamentos rápidos, com até 80% da carga obtidos em menos de 40 minutos. Sim, isso é real, mas o que ninguém fala é que a repetição dessas chamadas ´cargas rápidas´, comprovadamente, reduzem a vida útil das baterias. O processo é simples assim. Isso acontece do mesmo jeito numa bateria de um carro comum movido a combustível fóssil.

Tesla Model Y: larga autonomia, mas o preço é muito alto para os padrões brasileiros. Na Califórnia (EUA) ele é negociado a partir de US$ 43.700, cerca de R$ 179.000

O terceiro ponto é o descarte das baterias após o seu tempo de vida útil, que deve ser de – no máximo – sete a oito anos, ressaltando-se que nessa idade a sua capacidade já deverá estar com uns 40% comprometida, sem esquecer também de possíveis perdas extras de capacidade oriundos das repetições de cargas rápidas. Destaco, também, os preços altos dos carros elétricos e/ou híbridos, ainda onerosos, pois vinculados à uma simplista questão de economia básica: demanda versus escala de produção. Se a fabricação e a procura subirem, o preço automaticamente cairá. Mas quem pode garantir isso, por exemplo, no mercado brasileiro, aonde inexiste infra-estrutura mínima para receber carros elétricos? Ainda dentro desse contexto, cito duas situações: aqui aonde moro, em Maceió, capital de Alagoas, será entregue no início de 2020 o primeiro edifício residencial com garagens adaptadas para recarregar veículos elétricos. Numa cidade de mais de 1 milhão de habitantes e milhares de edificações, isso é uma gota d´água num oceano, mas já é um começo.

Mercedes-Benz EQC: luxo extremo e trem de força elétrico com 402 hp. O alcance é de 450 quilômetros com uma carga completa.

Outro exemplo, que representa um paradoxo maluco nesse universo dos carros elétricos, é a ´oferta amigável´ que a marca Tesla faz na Europa e Estados Unidos, disponibilizando pontos extras de recarga para veículos elétricos. Sabe como? A Tesla coloca em lugares estratégicos esses pontos de energia, que chegam em carretas enormes, carregando grandes geradores de energia movidos a óleo diesel! Ou seja, ecologia de um lado e largos gastos de produção com ataques ao meio ambiente, do outro. Aonde irão descartar as baterias velhas? Como abaixar o preço final do veículo ao consumidor? Dúvidas que ainda não têm respostas.

Por fim, sugiro a leitura (neste mesmo site) das últimas colunas do nosso colaborador de conteúdo, o jornalista Fernando Calmon, que sempre trata com objetividade, com dados assertivos e credibilidade esse tema dos carros elétricos e as possibilidades reais e factíveis ao Brasil do uso do Etanol no lugar da energia vinda das baterias. A equação dos elétricos ainda não fecha, e somente o futuro nos dirá aonde tudo isso vai chegar… (Fotos: divulgação Google free royalties / Instagram: @acelerandoporai)