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Jaguar XJ220: belo design e alta performance nos anos ´80

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Não fosse a data do nascimento desse projeto (fim da década de ´80) a denunciante da idade, essa máquina inglesa até que se encaixaria nos dias atuais sem o menor problema de defasagem no design. E o trem de força também não ficaria atrás, afinal de contas, esse belo Jaguar XJ220 acelera de 0-100 km/h em 3,8 segundos e atinge velocidade final de 350 km/h! Produzido em parceria com Tom Walkinshaw entre 1992 e 1994, ele deteve por quase três anos o recorde de maior velocidade de um carro de produção comum, quebrado pela chegada do McLaren F1. O XJ220, embora compartilhe a mesma sigla ‘XJ’, não está relacionado com os outros clássicos XJ da marca.

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Origens & Paixão >> Há muitos anos, alguns funcionários da Jaguar, um pouco mais apaixonados pela história da empresa, criaram um grupo informal de trabalho e batizaram-no de “The Saturday Club” (O clube do sábado), assim chamado porque eles se encontravam em horas extras e nos finais de semana para trabalhar em divertidos projetos não oficiais. Integrante dessa turma na década de 1980, Jim Randle, engenheiro-chefe da Jaguar, começou a trabalhar no que ele enxergava como um oponente à altura do Ferrari F40 e do Porsche 959, ambos em destaque naquele momento. Randle imaginou recriar essencialmente uma versão atualizada do XJ13, mais especificamente, um leve carro de corridas adaptado para as ruas com um potente motor V12 montado no centro. O engenheiro estabeleceu desde o início a necessidade de dotar o veículo de tração nas quatro rodas a fim de ganhar em capacidade de fazer curvas e também em segurança. Outro requisito fundamental era que ele fosse capaz de exceder os 320 km/h.

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Concept car >> Executivos da Jaguar que viam o conceito de perto, cada vez mais se convenciam de que valeria a pena investir na produção de um carro para o evento ´British Motor Show´ de 1988. Tom Walkinshaw foi designado para produzir uma versão atualizada de 6.200 cm³ (6.2 litros) do lendário motor V12 Jaguar com 4 válvulas por cilindro e 510 cv. O sistema de tração integral foi produzido pela FF Developments, que tinha experiência desde os anos ´60 com os Jensen FF. Keith Helfet foi o criador do estilo desse lindo esportivo e incluiu portas de estilo tesoura (+ – iguais às “asas de gaivota”) e o nome XJ220 foi escolhido como uma referência para o topo da velocidade que os engenheiros queriam que o carro atingisse: 220 milhas por hora ou 350 km/h.

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Após quase três anos de trabalho, o XJ220 foi anunciado oficialmente com o astronômico preço de US$ 580 mil. Naquele momento (em 1989) já surgiram potenciais compradores que depositaram cerca de US$ 80 mil para entrar numa lista de espera que teria entre 220 e, no máximo, 350 unidades produzidas. Muitos fizeram os depósitos no intuito de especular em cima da novidade, revendendo o carro com lucro imediato.

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Enfim, a versão de produção >> O projeto final foi mostrado pela primeira vez ao público em outubro de 1991 depois de passar por mudanças significativas. Dentre as alterações mais significativas estavam a adoção de um sistema de transmissão completamente diferente e a eliminação das portas de tesoura. O carro agora estava submetido a novas ´regras´, provavelmente, de contenção de despesa no projeto. Ao invés da tração integral, por exemplo, ele agora teria tração apenas na traseira e o tão aguardado gigantesco motor V12, seria trocado por um propulsor V6 turbo. O V12 6.2 já não se enquadrava nas rígidas regulamentações de emissões europeias e o tamanho (e o peso) da unidade eram outros problemas capazes de comprometer a performance. O habilidoso Tom Walkinshaw desenvolveu, então, um 3.5 V6 baseado no motor usado no carro de rali Austin Metro 6R4. Após os devidos ajustes, equipou-o com turbocompressores Garrett T3 gerando satisfatórios 550 cv de potência máxima aos 7000 rpm e um torque respeitável de 64,5 kgf.m. Este motor foi o primeiro V6 na história da Jaguar e foi também o primeiro a usar a indução forçada.

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Decepções e realidade >> A quebra da promessa do motor V12 e da tração integral, soou – para muitos dos potenciais compradores – como um desencanto de um sonho. Alguns entusiastas entraram, inclusive, com processos na justiça contra a marca britânica. Para completar, quando a produção finalmente começou no início dos anos ´90, o pique inicial do projeto já tinha passado e o “Grupo B” (categoria de carros de corrida para provas de turismo para o qual o XJ220 foi originalmente concebido) tinha desaparecido momentaneamente. Mesmo com alguns contratempos, ele entrou em produção em 1992 numa fábrica construída em Bloxham e os primeiros carros foram entregues a clientes em julho deste mesmo ano, alguns deles, famosos, como o cantor Elton John e o Sultão de Brunei.

Aqui, foto para uma peça publicitária e abaixo, o XJ220C vitorioso em Silverstone
Aqui, foto para uma peça publicitária e abaixo, o XJ220C vitorioso em Silverstone

 

Destino >> Muitos dos potenciais compradores estavam insatisfeitos não só com as modificações técnicas destoantes da especificação original, mas também com o aumento significativo no preço, que saltara para estupendos 650 mil dólares americanos! Outro golpe mortal para o esquema de vendas foi uma recessão global ocorrida justamente entre o anúncio do nascimento do projeto e a sua entrega nas lojas da Jaguar, daí, muitos desistiram de comprá-lo.

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Versão de corrida >> Uma configuração especial para corridas foi chamada de “XJ220C” e um desses, pilotado por Win Percy, ganhou a sua primeira prova na rodada do ´Sports GT Desafio BRDC Nacional´, em Silverstone. Mais três XJ220C foram inscritos nas 24 Horas de Le Mans em 1993 e inseridos na recém-criada categoria “Grand Turismo”. Dois carros não se deram bem, mas um deles pilotado pelo trio John Nielsen, David Brabham e David Coulthard recebeu a bandeira quadriculada vencendo a prova na classe ´GT´. Curiosamente, esse triunfo foi revogado duas semanas mais tarde, quando o bólido inglês foi desclassificado por uma infração técnica…

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O XJ220 pode, certamente, ser enquadrado como um clássico colecionável de alto valor, tanto pelo belo desenho e pelas competentes características técnicas, quanto pelo ´frisson´ que despertou no final dos anos ´80, projetando-se como um esportivo raivoso e que entraria para a história. Raivoso, até que foi, mas é quase um anônimo que tem um currículo bem modesto. Mais uma curiosidade: no finalzinho do projeto, a ordem da Jaguar era para concluir o carro, mas, economizar no que pudesse. Os espelhos retrovisores são um exemplo disso, já que são herdados do Citroën CX2. (Fotos: divulgação)