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Previsão de Roberto Nasser confirmada: Ford encerra atividades no Brasil

Uma notícia impactante e até triste para o mercado brasileiro. Estabelecida oficialmente no país desde 1919, a Ford Brasil anunciou hoje (11/1/21) em breve comunicado à imprensa, que encerrará as atividades de produção de veículos por aqui. Evidentemente, não há casamento que termine em apenas um dia ou ponte que desabe de repente… A situação da montadora de origem norte-americana já não vinha bem há muito tempo, com sucessivas quedas nas vendas, além de prejuízos monumentais em diversas operações pelo mundo, incluindo a América Latina, aonde o Brasil está incluído.

Um dos olhares mais atentos à situação real da Ford, foi do veterano jornalista José Roberto Nasser, infelizmente falecido em 9 de novembro de 2018, e que – evidentemente – não viveu para comprovar a assertiva previsão que fez sobre o futuro da Ford bem antes da sua morte. Lembro-me perfeitamente, que já durante o Salão do Automóvel de São Paulo de 2016, Nasser comentou comigo sobre um conjunto de fatores que começavam a ameaçar a Ford Brasil, dentre eles, alto custo de produção, portfólio exageradamente enxuto, queda nas vendas, baixa competitividade oriunda de design cansado de alguns modelos (como o EcoSport, por exemplo), e para completar, dois detalhes extras e negativos na visão dele: velocidade lenta na apresentação e renovação da linha de produtos, e comunicação desconectada da realidade, muito distante do mundo moderno e digital. Enfim…, Roberto Nasser acertou na mosca!

Ford Corcel: carismático, econômico e quase inquebrável!

Após esse papo informal no Salão de São Paulo em 2016, Nasser insistiu na investigação sobre a Ford Brasil até que no dia 22 de fevereiro de 2018 publicou como assunto principal da sua ferina coluna “De carro por aí” (inspiradora para o nome desse site) tudo o que já sabia. Com o título “A Ford deixará o Brasil?”, o jornalista foi fundo nas feridas e destacou (como já citei aqui) a “menor variedade em produtos, vendas baixas, lucros contidos por um lado e prejuízos enormes de outro, redução e desinteresse da rede de revendedores, etc…” Foi nesse texto extremamente elucidativo e profético que Roberto Nasser previu a diminuição da produção de caminhões (a Ford fechou a fábrica de caminhões em São Bernardo do Campo (SP) em 2019), assim como cortes em postos de trabalho e exibiu, ousadamente, o número exato do prejuízo da Ford América Latina naquele momento: 2 milhões de dólares/dia!

A surpresa ainda está sendo grande nesta segunda-feira, com as redes sociais repercutindo essa difícil e lamentável notícia sobre a centenária Ford, marca tão carismática e querida pelos brasileiros, puxando o freio de mão assim de um jeito tão brusco. Mas é a realidade que, infelizmente, atingirá muitos empregados diretamente e outros tantos nos setores periféricos das fábricas de Camaçari (BA) e Taubaté (SP), que deverão fechar as portas imediatamente. A Troller (subsidiária instalada na cidade cearense de Horizonte), deverá manter-se ativa por mais alguns meses, provavelmente para cumprir entregas de veículos encomendados.

Galaxie: o carro mais luxuoso de todos os tempos no mercado brasileiro

Dois famosos produtos – KA e EcoSport – cessam suas existências desde já nas linhas de produção e estarão à venda somente até o fim do estoque. Há quem diga por aí que eles voltarão importados da Argentina…, mas isso não acontecerá, dado que o (New) Fiesta, que servia de base para os dois veículos citados, já foi descontinuado também. KA e EcoSport não voltam mais.

KA e EcoSport: sucesso estupendo de vendas, agora descontinuados para sempre aqui no Brasil

Evidentemente, a Ford ainda é empresa grandiosa e significativa, portanto, manterá esquemas de manutenção, venda de peças sobressalentes e revisões sem alteração, além de manter o campo de provas e a sede administrativa em São Paulo, assim como o “Centro de Desenvolvimento de Produto” em Camaçari (BA).

New Fiesta: um dos primeiros a sair de linha nesse processo de encolhimento da marca norte-americana

Jim Farley, presidente e CEO da Ford, tenta injetar ânimo na difícil situação argumentando assim: “A Ford está presente há mais de um século na América do Sul e no Brasil e sabemos que essas são ações muito difíceis, mas necessárias, para a criação de um negócio saudável e sustentável. Estamos mudando para um modelo de negócios ágil e enxuto ao encerrar a produção no Brasil, atendendo nossos consumidores com alguns dos produtos mais empolgantes do nosso portfólio global”. A montadora diz que trará ao Brasil os novos Transit, Bronco, Mustang Mach1 e nova picape Ranger, todos eles carros ´não-populares´ e considerados caros para a maioria do público brasileiro.

O astuto jornalista José Roberto Nasser previu – com cinco anos de antecedência – a derrocada da Ford Brasil

Fim inusitado, mas não repentino, de um ciclo de muito sucesso num país que foi construído, também, por caminhões Ford e lotou estradas com modelos inesquecíveis como a versátil picape Pampa, o popular Corcel, o esportivo Maverick, o luxuoso Galaxie e o emblemático Jipe Willys/Ford. Velha raposa de faro inigualável, Roberto Nasser estava totalmente certo… (Divulgação: Ford / Google free royalties / Maxicar / Instagram: @acelerandoporai.com.br)